Vinicius Couto
Vinicius Couto (1988) é artista visual, performer, cineasta e diretor de criação. Paulistano, viveu no Rio de Janeiro e em São Paulo antes de se radicar em Lisboa. Sua pesquisa atravessa gênero, raça, classe, sexualidade e os movimentos LGBTQIA+ — e afirma a potência dos corpos dissidentes como agentes ativos de transformação social e cultural.
Antes de dedicar-se integralmente à arte, construiu carreira como diretor de arte em publicidade e moda, assinando trabalhos para artistas e marcas como Anitta, Linn da Quebrada, Gloria Groove, Gisele Bündchen, Vogue, Elle, Nike, Adidas, Gucci e Burberry, além de direção de arte e figurino em videoclipes e filmes exibidos em festivais como Cannes, Berlinale e Roterdã.
Em 2016, um teste de rotina no Rio de Janeiro mudou sua vida: “Foi um baque, um silêncio absurdo. Fiquei na cama jogado e esqueci tudo que tinha aprendido”, contou à CartaCapital. Depois de dois anos em silêncio veio o que ele chama de saída do armário da SIDA — “Não conseguiria viver mais em silêncio. O silêncio é uma ferramenta do conservadorismo de muita coisa.”
Desde então, sua obra dá visibilidade à vida com HIV e combate a sorofobia. A primeira performance, I=I — Indetectável = Intransmissível, estreou em 2018 no Cairo — país que proíbe a entrada de pessoas com HIV, como registrou a CartaCapital — e depois ocupou o MAM de São Paulo e, no Rio de Janeiro, o Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica. Seguiram-se residências e trabalhos na Espanha (Konvent, Etopia Zaragoza — onde realizou sua primeira exposição individual), na França (Radicale 1924) e em Portugal (Linha de Fuga, Casa Independente), reunidos no projeto PRO_CU•RAR-SE.
No cinema, assinou a direção de arte do documentário premiado Deus tem AIDS (2021), criou com Gustavo Vinagre o vídeo chempassion (2025), comissionado pela Visual AIDS e estreado no Whitney Museum, e co-dirigiu e protagonizou o longa A Paixão Segundo G.H.B. (2026), selecionado para o Festival de Roterdã.
Vive e trabalha em Lisboa. Na sua bio, define seu espaço de atuação como “território subjetivo de combate da arte independente”.

“Precisamos humanizar o tema. Todo mundo tem algum caso de pessoa próxima, mas não sabe, porque não se fala.”
Vinicius Couto — CartaCapital, 2019